domingo, 28 de agosto de 2011

"Só há um jeito de começar: é começar agora. Comece, se preferir, assim que terminar de ler este parágrafo. Não há dúvida de que chegará o dia em que você será mais inteligente, ou mais bem informado, ou mais habilidoso do que é agora, mas nunca estará mais pronto para começar a escrever do que neste exato instante. Chegou a hora. Você já sabe mais ou menos o que seria uma boa história. Já tem em mente uma situação humana que julga interessante. É o que basta. Comece com qualquer coisa que lhe dê ímpeto para começar: uma imagem, uma fantasia, uma situação, uma lembrança, um gesto, um grupo de pessoas -- qualquer coisa que estimule sua imaginação. O trabalho consiste somente em colocar um pouco disso, ou tudo, em palavras capazes de alcançar e tocar um desconhecido, que você não vê, chamado leitor. Você precisa mergulhar nisso. E precisa fazê-lo agora."


"Em busca do tempo perdido. Nesse romance, 'Marcel' é psicologicamente mais são, sexualmente menos torturado e moralmente mais coerente que seu criador. É, também, misteriosamente, um observador mais penetrante e sensível do que o próprio Proust. Marcel é um ser dotado de intuição e eloquência ainda mais prodigiosas que as do sublime neurótico que adoeceu e acabou se matando de fome, à base de café e brioches, para inventá-lo. O 'Marcel' criado dotou o verdadeiro Proust da sanidade e do equilíbrio de que precisava para escrever seu livro. Como é possível que uma criação na página seja mais eloquente, mais perspicaz, até mesmo mais inteligente que seu criador? A resposta é misteriosa, mas é simples. É fácil ver que uma persona pode ser moralmente superior, ou mais bondosa, ou mais sã do que quem a criou. Qualquer 'personagem' bem concebida facultará ao autor o acesso a alguma parte dele mesmo que lhe seja 'superior', superior até mesmo em inteligência, em poder de percepção, em capacidade para alcançar a verdade. Sem 'inventar' essa personagem, o autor talvez nunca alcance a parte de si que é capaz dessas coisas."

Stephen Koch